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Biópsia  Intracraniana - Cerebral  por Estereotaxia

Introdução

   

   A biópsia cerebral é um procedimento neurocirúrgico indicado quando necessitamos  obter um fragmento de um  tecido anormal do sistema nervoso central observado nos exames de imagem como por exemplo: tomografia - ressonância  nuclear magnética cerebral .  Assim, a biópsia cerebral é a realização de um exame microscópico deste fragmento de  tecido cerebral anômalo  obtido, chamados de estudo de  anátomo-patologia intra-operatória (conhecida  por biópsia de congelação) . Neste momento intra-operatório obtém-se um diagnóstico parcial deste  fragmento  obtido ainda na  sala cirúrgica, e  depois  será  encaminhado  ao  laboratório de  patologia  para  uma  análise  mais  detalhada. 

 

    As células do tecido obtidas  durante a biópsia podem revelar qual  o  padrão da  lesão  cerebral, se estamos  frente  a uma infecção, por exemplo  um abscesso intracerebral, ou um tumor  do sistema nervoso central, podendo ser  uma lesão benigna ou maligna.  Conhecer e definir o tipo específico deste fragmento cerebral  irá auxiliar ao médico neurocirurgião  a  orientar um plano  de tratamento  ao paciente. 

    O objetivo de uma biópsia cerebral é diagnosticar uma  anormalidade observada nas imagens resultantes de uma ressonância magnética ou tomografia computadorizada, obtendo uma  amostra  de células da área suspeita.

    Habitualmente existem dois tipos de biópsias: biópsias abertas e biópsias  com  agulha  estereotáxica.

 

Figura abaixo: Biópsia cerebral realizada por uma cânula apropriada, utilizada nesta técnica, a qual é introduzida na lesão. Instrumentos apropriados serão utilizados para remover os fragmentos do tecido anormal.

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Navegação com Microscópio

A navegação com microscópio visualiza o alvo cirúrgico planejado e as estruturas circundantes como volumes semitransparentes.

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Sistema de estereotaxia  fixado ao crânio para  realização da  biópsia estereotáxica

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Sistema de NEURONAVEGAÇÃO COM ESTEREOTAXIA .Durante o registro, as marcações  fiduciais da pele correlacionam o paciente real com o modelo 3D do computador e funcionam como um GPS para ajudar o cirurgião a localizar a lesão. Instrumentos são detectados pelas câmeras e exibidos No computador. O neurocirurgião observa a agulha da biópsia na tela do computador em tempo real, enquanto ela é inserida para coletar as amostras.

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   Primeiramente esse procedimento é realizado por um neurocirurgião, preferencialmente que obteve o histórico clínico-neurológico da doença pregressa do paciente, realizou o seu exame neurológico, e esclareceu as dúvidas como é realizado este procedimento neurocirúrgico e sobre os riscos desse procedimento neurocirúrgico. Uma avaliação pré-operatória será realizada com exames laboratoriais, avaliação cardiológica, eletrocardiograma, ecocardiograma, raio-x tórax, etc. O procedimento será realizado sob anestesia geral.

    Nesse procedimento, ou seja, em uma biópsia cerebral-aberta, é utilizada uma estrutura estereotáxica com uma agulha/cânula específica para acessar as lesões tumorais ou intracranianas.

   Existem alguns meios para realizar essa biópsia: uma tomografia computadorizada é realizada com programação técnica específica para obtermos medidas estereotáxicas, chamadas de coordenadas x-y-z. Essas medidas da lesão intracraniana serão realizadas para que cheguemos ao alvo (lesão) com sucesso. Esse meio é necessário à utilização de um sistema com um halo estereotáxico que será fixado na cabeça do paciente. Inicialmente o paciente será anestesiado, na sala cirúrgica e aí é realizada a fixação do halo, e o paciente será levado ao serviço de tomografia computadorizada para que o neurocirurgião determine o alvo da lesão com as coordenadas descritas acima para a realização da biópsia.

 Uma outra técnica empregada, ou seja um outro sistema mais recentemente utilizado é a estereotaxia guiada por neuronavegação, com um sistema que agrega um sitema de GPS. A técnica utiliza um sistema de neuronavegação que necessita de exames de imagem, no pré-operatório, com um protocolo específico para a neuronavegação. Uma ressonância nuclear magnética do crânio é obtida no dia anterior à cirurgia se o método aplicado for sob neuronavegação .

 

  Na realização do sistema de neuronavegação, pequenos marcadores são colocados na região frontal, atrás das orelhas e, às vezes, na parte de trás da cabeça para determinar a localização da lesão e, consequentemente, para orientar a entrada da cânula de biópsia. Os marcadores ajudarão a alinhar a ressonância magnética pré-operatória ao sistema de orientação da imagem no momento da cirurgia.

    O paciente será submetido à anestesia geral, e a cabeça será fixada sob um dispositivo de fixação que se conecta à mesa cirúrgica e mantém sua cabeça fixa durante o procedimento neurocirúrgico .

    A partir daí um plano cirúrgico será realizado para a biópsia cerebral, utilizando o sistema de neuronavegação, com um transdutor específico junto a uma pinça, e assim determinar onde uma pequena incisão cirúrgica, cerca de 3 cm será realizada. Uma pequena quantidade de cabelo será raspada ao longo da região da incisão cirúrgica no crânio. Uma pequena abertura chamada craniotomia ou trepação (um pequeno orifício é perfurado no crânio - retirada do retalho ósseo) será realizada no osso craniano para que se possa ter acesso à lesão intracerebral. Então, usando o sistema de orientação de imagem, a cânula de biópsia é introduzida na região intracerebral até a região cerebral anormal a ser avaliada.

    O neurocirurgião, por meio do sistema de neuronavegação, vai confirmar o local da lesão intracerebral com um instrumento específico, aguardando a confirmação de que a biópsia a ser realizada está no local correto.

    A partir daí, pequenos fragmentos de tecido do sistema nervoso central são obtidos e analisados pelo médico patologista ou um neuropatologista, e realiza-se uma variedade de testes para fazer um diagnóstico do tipo e grau da lesão ou do tumor. Esse processo ocorre, habitualmente, com estudo de imunohistoquímica cerca de 7-10 dias antes que os resultados finais sejam conhecidos. Uma avaliação inicial do tecido- fragmento obtido é realizada durante a cirurgia, chamada de congelação. Uma vez concluído o procedimento, a cânula é retirada, e uma técnica de fechamento habitual será realizada, finalizando com uma sutura do couro cabeludo.

    Após a cirurgia, o paciente acordado, estável hemodinamicamente, será transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva, para observação neurológica e geral, e um monitoramento rigoroso. Poderá ocorrer, em algumas situações, manter-se o paciente intubado, e posteriormente ser retirada a ventilação assistida, ficando a critério da equipe médica todas as orientações.

    Em condições do paciente acordado, o acompanhamento será constante com perguntas, como: "Qual é o seu nome?", e será frequentemente solicitado a mover os braços, dedos e pernas. Os sintomas após uma biópsia geralmente são leves e bem controlados com medicação, mas cada caso é analisado separadamente. Após a cirurgia, o paciente poderá receber medicação para controlar o inchaço do cérebro, como corticosteroides, e a medicação anticonvulsivante para evitar convulsões. Na maioria dos casos, o paciente permanecerá no hospital até que se defina a melhor conduta de tratamento.

    As instruções de alta hospitalar, as atividades, tratamento de feridas, medicamentos e consultas de acompanhamento, serão orientadas pelo médico neurocirurgião. A maioria dos pacientes somente poderá retornar às atividades diárias após conhecimento do diagnóstico da peça estudada, pois estaremos frente ao tratamento que será realizado.

 

   

    Quais são os riscos?

    Nenhuma cirurgia é isenta de riscos, mas as biópsias são menos invasivas que as cirurgias de craniotomia aberta para remoção de tumores. As biópsias também têm um índice menor de complicações. Possíveis riscos de uma biópsia incluem sangramento, inchaço cerebral, convulsões, acidente vascular cerebral, infecção, coágulos, etc.

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Dr. João Francisco Crosera

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